Portagens engordam privados

O Executivo da Organização Regional de Setúbal do PCP considera que a decisão de acabar com a isenção do pagamento das portagens na Porte 25 de Abril no mês de Agosto é «mais uma medida penalizadora para as populações da região de Setúbal». Os comunistas – que consideram a existência de portagens na ponte «injusta» e prejudicial para as populações e as actividades económicas de toda a Área Metropolitana de Lisboa – realçam que esta decisão «só serve a Lusoponte», que beneficia de um contrato de concessão ruinoso para o interesse nacional em que os utentes pagam portagens «totalmente injustificadas», o Estado assume as despesas com as obras de conservação, que ainda estão em curso, e a concessionária privada recolhe os lucros.

Esta decisão está contida no Orçamento do Estado para 2011, aprovado com os votos do PS e a abstenção do PSD, e reafirmada agora pelo Governo PSD-CDS.

No seu comunicado, de 12 de Julho, o PCP lembra que o ataque dos governos da política de direita na região de Setúbal tem tido uma especial incidência no sector dos transportes, com destaque para a intenção de privatizar a CP, em particular a Linha do Sado; para o «escandaloso favorecimento à Fertagus no que toca à concessão da ligação Lisboa-Setúbal» ou para a recusa em alargar o passe social ao Metro Sul do Tejo e à Fertagus.

O PCP manifesta, nesse mesmo comunicado, a sua solidariedade com os movimentos de utentes que se têm batido em defesa do serviço público e contra o aumento dos preços.

No dia 17, foi a vez da Direcção da Organização Regional de Castelo Branco do PCP manifestar o seu «total repúdio» pela introdução de portagens nas SCUT do interior do País (A23, A24 e A25), como aliás tem vindo a fazer desde que o Governo do PSD ensaiou a medida pela primeira vez, em 2005. A DORCB lembra que estas vias foram construídas e pagas com fundos europeus e visam proceder a uma discriminação positiva para com as populações do interior, cujo poder de compra se situa em cerca de 60 por cento da média nacional.

Após o abandono da agricultura e o declínio da indústria, estas vias têm uma importância acrescida para a economia local e regional, ao permitirem a circulação dos prestadores de serviços (o sector terciário é dominante em termos económicos) que são obrigados a percorrer maiores distâncias do que nos grandes centros ou no litoral para manterem sustentável a sua actividade. Por tudo isto, o PCP considera que a introdução de portagens será um «rude golpe» para o interior e garante que prosseguirá a sua intervenção para que estas auto-estradas continuem sem ser pagas.



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