- Nº 2024 (2012/09/13)
Sábado, à noite, no Fórum, no debate que teve por tema «Contra a exploração, Lutar nas empresas e na rua», todos os oradores acentuaram que há forças para fazer frente e derrotar a ofensiva legislativa que tem por objectivo acentuar a exploração dos trabalhadores e que, ao longo dos anos de contra-revolução, tem sido desenvolvida com recurso a argumentos falsos.
Paulo Raimundo, da Comissão Política do PCP, dirigiu o debate, começando por deixar um reparo crítico pelo facto de a mesa de oradores não representar as mulheres trabalhadoras, apesar de estas sofrerem acentuada exploração e darem um determinante contributo para a luta. Realçou que o tema ficou ainda mais actual após as medidas anunciadas na véspera pelo primeiro-ministro.
A «rigidez» do mercado de trabalho, a criação de emprego e o aumento da competitividade foram os argumentos mentirosos que, desde a primeira revisão da legislação laboral, quando Mário Soares abriu as portas aos contratos a prazo, não pararam de ser repetidos. Mas o que temos é apenas o agravamento da exploração, acusou Jorge Machado, da DOR do Porto do Partido e deputado na AR. Ressalvou que não é naquele Parlamento que se resolvem os problemas dos trabalhadores e lembrou que as alterações legais são muitas vezes limitadas na sua aplicação pela luta nas empresas.
Jaime Toga, da Comissão Política do Partido, acrescentou ao exemplo da Sakthi, onde foi alcançando compromisso de não redução do valor do trabalho suplementar, o caso de dois bingos do Porto, que tomaram atitude semelhante após a marcação de greves – a comprovar que a luta pode travar graves medidas e dar um contributo para o combate mais geral, pela mudança de política.
Pedro Martins, da OR de Setúbal da JCP, traçou o quadro das dificuldades dos jovens trabalhadores, destacando a elevada precariedade, mas indicou alguns casos recentes de lutas desenvolvidas com resultados positivos, como na Cares (seguradora da CGD), que não avançou com a transferência de serviços de Lisboa para Évora.
Armando Farias, do organismo sindical do Partido e dirigente da CGTP-IN, notou que, para lá da argumentação, o que está em curso é a luta de classes, numa fase muito aguda, servindo a «ajuda» externa para favorecer o capital nacional. Se a ofensiva é forte, mais forte é o povo, sublinhou.