Jerónimo de Sousa convoca reformados a intervirem na batalha do esclarecimento
CAMPANHA O Secretário-geral do PCP apelou, anteontem, numa sessão pública no Pinhal Novo, à mobilização em defesa do direito à reforma e a uma pensão digna.
Combater a desinformação, continuar a luta e dar mais força ao PCP
Não sendo esta uma aspiração e uma luta de hoje e sendo certo que em mais de 40 anos de política de direita sobejam períodos em que os sucessivos governos, protagonizados à vez por PS, PSD e CDS, com maior ou menor intensidade, lançaram uma ofensiva contra a justa retribuição dos trabalhadores ao cabo de décadas de descontos para o sistema público de Segurança Social, nunca como nos últimos anos aquela conquista da Revolução de Abril esteve tão criticamente em causa.
Este foi, em resumo, o enquadramento da questão feito por Jerónimo de Sousa durante um encontro-debate com reformados, ocorrido na tarde de terça-feira, 15, no salão da Junta de Freguesia do Pinhal Novo, em Palmela.
Intervindo na abertura da sessão, o dirigente comunista voltou por isso a denunciar o pilar principal do ataque persistente ao direito à reforma e a uma pensão digna. Ataque que foi elevado a um patamar abominável pelo anterior governo PSD/CDS, mas cujo cerneé a falsa argumentação da «insustentabilidade» do sistema público.
«Argumentação que tem levado à imposição, pela mão do PS e prosseguida pelo PSD e CDS, da redução de direitos para as actuais e futuras gerações de reformados, patente na criação do factor de sustentabilidade, no aumento da idade de reforma, na relação entre a actualização anual das pensões com o desempenho da economia».
«Mas também usando dois pesos e duas medidas nas regras de antecipação da idade de reforma: quando deu jeito ao capital para as "designadas" reestruturações de empresas foi largamente usada a pré-reforma, para, em seguida, penalizarem duramente os que tiveram que antecipar a reforma», exemplificou.
Avisar toda a gente
Com a maior desfaçatez, «o PSD e o CDS defendem hoje o contrário do que fizeram no passado e que aspiram retomar se para isso tiverem condições», prosseguiu Jerónimo de Sousa, que criticando os muitos «factores de manipulação e de distracção» e a «cortina de desinformação», indissociáveis «do facto de termos chegado ao início de 2019 e ao final desta legislatura numa situação bem diferente da do final de 2015», detalhou a reposição de direitos e rendimentos e o universo de reformados que deles beneficiaram nesta nova fase da vida política nacional.
Avanços materializados por insistência do PCP, sublinhou, cujo papel nas conquistas, limitadas, insuficientes, é certo, mas iniludíveis, e as propostas de fundo que mantém para a melhoria das pensões de reforma e das condições de acesso a esta, bem como para o reforço da Segurança Social no quadro de uma política verdadeiramente alternativa, tem de ser do mais amplo conhecimento.
Cabe, assim, «um papel de grande importância aos militantes comunistas que são reformados, que intervêm com outros democratas no movimento associativo dos reformados, bem como aos que intervêm na acção directa do Partido».
«Um papel fundamental na batalha do esclarecimento contra a desinformação», assim como «continuar a luta dos reformados e dar mais força ao PCP para que seja possível alcançar um futuro de progresso e justiça social e de desenvolvimento soberano», concluiu.
Poderosa força social
As palavras de apelo à mobilização do Secretário-geral do Partido foram ao encontro do saber e do sentir dos presentes. Cerca de 400, a maioria sentados, mas também os havia apinhados nos corredores laterais da sala e naquele que lhe dá acesso.
Afluência que prova o prestígio granjeado entre os reformados pelo PCP, que, com a sua acção, foi, por um lado, ao encontro das legítimas aspirações de avanço daqueles, e por outro às não menos importantes aspirações que tinham de travar o prolongamento do retrocesso, colocado, nas legislativas de 2015, quer se mantivesse em funções o executivo Passos/Portas quer o PS de António Costa obtivesse maioria absoluta.
Estes factos foram acentuados no microfone aberto durante aproximadamente uma hora, através do qual fizeram ouvir a sua voz mais de uma dezena de reformados. Acresceram muitas críticas à ocultação do papel e da justeza das propostas do Partido. Em tom de compreensível lamento e, simultaneamente, de revolta. Para com os donos da informação dita generalista ou de referência, e não os jornalistas, frisou-se.
Porém, rapidamente a indignação redobrou em projecto e disponibilidade para intervir por parte daqueles que constituem uma poderosa força social, capaz de contribuir decisivamente para a mudança de política. O que prova estarem certas as apreciações deixadas na iniciativa por Fernanda Mateus, da Comissão Política do Partido, quanto à necessidade e capacidade de os reformados tomarem nas suas mãos a defesa e melhoria do presente e do futuro. Do seu e daquele que pretendem legar aos seus filhos e netos.
Mas prova igualmente estar correcta a conclusão de Jerónimo de Sousa de que a maior reposição que o caminho feito nesta legislatura permitiu observar foi a reposição da esperança numa vida melhor. O desafio, agora, é traduzi-la com maior intensidade nas ruas e nas urnas.